A História do Homem, 1994





1994,

A História do Homem,

impressão
tipográfica – cartaz “Lambe- lambe”,

192 x 264 cm

Cartaz distribuído por 400 locais na cidade de São Paulo.

O cartaz foi editado por processo tipográfico empregando tipos móveis de chumbo. As diferentes famílias de letras utilizadas na composição criam uma mancha de texto irregular. A diagramação foi feita em colunas impressas, em oito folhas de papel tamanho A1. A história fala de um homem à procura de um lugar insólito no meio do mar. Temos algumas vagas referências geográficas a respeito de sua localização, mas a descrição desse lugar revela uma impossibilidade de existência física real. O tom é de um relato pessoal, que parece ter sido retirado de um diário de viagem. A narrativa evolui lenta e discretamente para um absurdo ou disparate. Somos surpreendidos por uma mudança súbita de ponto de vista, que produz uma sobreposição de dimensões. Não sabemos mais se as alusões se referem a fatos ou a sonhos. Além de cobrir todas as paredes do hall de entrada da Galeria São Paulo, o cartaz também foi distribuído em mais de quatrocentos lugares pelas principais vias públicas da cidade. Não continha nenhuma referência à exposição. Colado aos muros, o cartaz apresentava simplesmente uma história. Talvez por esse motivo provocasse uma certa estranheza ao dividir o espaço com informações habituais desse meio. A casualidade do cotidiano criou situações particulares nos vários locais onde foi colado, ora no confronto com propaganda eleitoral, ora confundido como parte de um anúncio de um espetáculo musical.

A história impressa em oito folhas tamanho A1 apresenta-se deslocada de seu ambiente natural, pois o espaço da literatura é tradicionalmente as páginas dos livros. O cartaz transporta o texto para outro espaço, a composição afasta-se da literatura e aproxima-se da imagem. A solução gráfica adotada, através de sua qualidade específica, cria um equilíbrio entre matéria e palavras. A história parece migrar do livro para as ruas da cidade, onde adquire um outro status. Nos muros a leitura deixa de ser um ato individual, as pessoas são atraídas umas pela presença das outras. Torna-se um ato coletivo que estimula a discussão e a troca de impressões. Nessa situação, a tendência é a de fruir através do meio oral. A integração com o espaço urbano volta a envolver o texto com a informalidade das conversas cotidianas, com o encontro fortuito. O leitor parece fazer parte do trabalho.